terça-feira, 27 de maio de 2014
A LUTADORA
Filha, tô com tantas saudades de você! Um poeminha em homenagem à minha campeã...
Primeiro round
Pisa o chão sutil, com graca,
Faceira, esconde ou disfarça
Seu forte poder brejeiro;
Assim foi que um belo dia,
Num golpe, com maestria,
Nocauteou o Guerreiro!
Segundo round
Bela, serena, aguerrida,
No octagon da vida,
Ora recua, ora avança,
Focada, firme, certeira,
Nos seus golpes, vai inteira,
Aquilo que quer, alcança.
Terceiro round
Na luta não deixa espaços,
Tem mil corações e braços,
Para amar seu Samurai,
É sábia ao cuidar das crias,
Mantém a beleza em dia,
Discreta – sabe o que faz!
Quarto round
Adversários valentes
Olha nos olhos de frente,
Um a um vai derrubando:
É mãe, mulher, motorista,
Psicóloga, equilibrista,
E os cinturões vai ganhando!
Quinto round
Finalização, nocaute,
Gancho, tesoura, alicate,
Chute, queda ou empurrão.
Ela vai sempre ganhar!
Seu trofeu é desfrutar
O amor do bravo DRAGÃO...
(Ray do Vale)
domingo, 25 de maio de 2014
OS CINCO
Escolhi eles cinco, em bom momento!
Eram eles! Não menos, certamente!
Já havia uma história decidida,
Pré-acordo de outras vindas, tantas vidas,
E cá estamos nós juntos, novamente.
A todos recebi em belos sonhos,
Antes de conceber, seus rostos eu já via.
E o amor que em minh’alma transbordou
Quando em meus braços cada um chegou,
Não dá pra descrever. Eu só sentia!
A todos abri, literalmente, o peito,
Meu leite farto nutriu e aqueceu,
Nenhuma queixa, quando a mama se feria,
E o leite quente se juntava com a sangria,
Da dor que por amor, nem bem doeu.
Hoje são homens, mulheres, mães, adultos,
Pés seguros marcando o próprio chão,
Escolheram caminhos deram passos,
Mas do que dei se mantém os fortes laços,
No plantio que hoje sai de suas mãos.
E a colheita do bem que neles vejo,
Só me diz que plantei em chão fecundo.
A terra boa recebe e multiplica,
E em minha’alma floresce, anima e fica:
Que foi tão bom vir com eles pra este mundo!
Para todos os meus filhos, mas neste mês de maio, para Alana, no dia 09, Lívia, no dia 25, HOJE; e Saulo, no dia 31! Os de junho que esperem! Mas será o mesmo poema! Meu coração não aguenta fazer dois!
25/05/2014
sábado, 10 de maio de 2014
AMOR DE MÃE, AMOR HUMANO, AMOR POSSÍVEL.
Que grande bênção ter sido a Terra
De onde brotou a vida.
Bendita a dádiva
De ter sido a planta
Que deu, frutos e pólen,
Espinhos, às vezes...
Benditos frutos, verdes, doces,
Maduros, amargos, às vezes...
Que deitaram sementes
A fecundar a vida,
Multiplicando a plantação.
Abençoados filhos,
Que me ensinaram
Sobre o amor humano,
(abundante, doce, duro, terno, inferno,
presente, distante, dual, real,
de risos, dores, conflitos,amores
calado, quebrado)
Filhos falhos, comuns como eu,
Duais, como eu,
Que me disseram, sem dizer, pelo que são e dão,
Que o amor possível
Pode ser suficiente.
...............................................................................
(Aos meus cinco filhos, pelo amor que recebo,
Pelo amor que posso dar,
Pelo amor que não consigo dar,
Pelo amor possível.
Suficiente.)
domingo, 27 de abril de 2014
QUANDO SILÊNCIO É AMOR
Na da travessia de grandes dores, sobretudo nas perdas, há sempre um momento em que a necessidade é ficar só. É como numa enxaqueca, quando o remédio é fechar a cortina e hibernar na dor, até ela ir. E a presença de amigos, por amorosos e solidários que eles sejam, incomoda como buzinas ruidosas em noite de silêncio. Mesmo que sejam sinfonias. Amigos sensíveis sentem isto. Eles não se retiram. Ficam a certa distância, em respeitoso silêncio. É como se dissessem: "quando puder abrir a janela, eu estou aqui".
MEU AMOR, ASSIM...
Meu amor fala pouco.
É quieto, quase silente.
Às vezes diz em monossílabos,
Ou apenas em olhares e sentidos.
Só o sente,
Quem tem mais pele e menos ouvido.
Ele está aqui.
Verdadeiro. Forte. Sereno.
Às vezes não serve, nem sacia,
A quem deseja amor com açúcar demais.
Porque já de si mesmo é sabor.
Meu amor nutre, não mata a fome.
A fome de amor
É de quem tem fome de si, não de mim.
Meu amor não tem nome.
Não se dá título disso ou daquilo,
Nem se oferece. Abre as portas.
Meu amor não faz bravata.
Abraça quando sente.
E se mostra quente,
Quando não está frio.
É amor quando é!
Diz pouco em verbo.
Mas diz sempre.
Em atos e gestos.
E em versos,
À vezes...
(Ray do Vale)
Dez 2013 / Jan 2014
www.ray-vale.blogspot.com
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Entender ou sentir?
Num processo autotransformador, melhor sentir do que entender. Às vezes ficamos procurando elaborar intelectualmente, porque sinto isto, porque faço aquilo, porque explodo, porque gasto muito, porque agrido, porque não mudo aquele padrão repetitivo que me incomoda e frustra tanto? Funciona mais reconhecer, permitir-se sentir, respirar o propósito de mudar. Ir exercitando o movimento de mudança pouco a pouco, compassivamente, é o próximo passo. Buscar ajuda é outro.
Se apenas entender resolvesse, não existiriam cidadãs e cidadãos com gordurinhas a mais no corpo. Não há gordinha ou gordinho minimamente esclarecido que não entenda TUDO de dietas saudáveis.
Mas há comandos muito mais profundos e encobertos que tanto nos empurram para a atitude ou emoção que não queremos, como para o pedaço de torta que nos deixa culpados.
As terapias vivenciais e corporais são muito eficazes nesses processos, porque não passam pelo controle racional. Elas nos levam a acessar emoções, sentimentos e imagens arcaicas que uma vez trazidas à consciência, tem seu poder compulsivo reduzido.
Ray Do Vale
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A CRIANÇA EM NÓS – 1ª. parte
Todos nós, em determinados momentos de nossa vida, agimos e reagimos a partir de uma consciência infantil. Não que sejamos infantis no sentido comum do termo. Mas há, em todas as pessoas, sem exceção, aspectos da consciência que ficaram congelados em memórias da infância. Uma determinada experiência da criança, na relação com os adultos significativos, gerou um choque e a energia vital entrou em colapso, naquele momento. É como uma foto. Não! Não é como uma foto! É como um “retrato”, daqueles antigos, que ficavam na parede a vida toda. Pois bem: esse retrato continuará “enfeitando” a sala da vida, comandando as ações e sentimentos do adulto, de forma inconsciente. São as imagens. Marcam como ferro em brasa. Delas brotam as crenças, que perduram e são poderosas em seus efeitos. Se não forem reconhecidas e trabalhadas podem fazer estragos. Por exemplo, uma menina que viu sua mãe submetida à violência do pai, pode generalizar essa experiência de diversas maneiras: 1) todos os homens são violentos; 2) todas as mulheres bondosas (como minha mãe) sofrem violência; 3) se eu me relacionar com os homens, sofrerei violência; portanto, melhor fugir deles; 4) melhor maltratá-los, antes que me maltratem; 5) vingarei minha mãe, maltratando os homens; 5) nunca serei igual à minha mãe! Comigo vai ser diferente! 6) vou atrair para minha vida homens violentos; assim eu confirmo que todos eles são mesmo maus. E por aí a fora. São apenas exemplos.
Com os homens não é diferente: uma experiência negativa com a mãe, por exemplo, pode contaminar sua relação com todas as mulheres na vida adulta. Este são apenas os exemplos mais eloquentes. Nossa vida é marcada por eventos comuns, corriqueiros, onde quase sempre estão presentes emoções, sentimentos e vozes infantis. Muitas de nossas reações tem essa origem. Em muitas, ocasiões estamos reagindo no presente a um evento do passado. Os sentimentos infantis represados emergem vigorosos e sem controle no momento inoportuno e com a pessoa errada.
A boa notícia é: o que a alma deseja, reeditando as velhas histórias é encontrar a cura para as velhas feridas. Mesmo que faça isto de forma atrapalhada e tosca.
Ray do Vale
www.ray-vale.blogspot.com
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