Diariamente vejo pelas esquinas de Belém pessoas portando faixas, pedindo ajuda para uma suposta instituição que cuida de dependentes químicos. E os pedintes são os próprios "assistidos". Todos eles
exibem, de braços erguidos, uma moedinha de 25 centavos, sugerindo que qualquer coisa serve.
Fico a refletir: como promover seres humanos, já tão desajustados social, emocional e espiritualmente, ensinando-os a se tornarem mendigos?
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
MELHOR IDADE E OUTRAS FIRULAS
Sempre me intrigou essa história de “terceira idade”, “melhor idade“, "idade preferencial” , e outros eufemismos que se usam para escamotear a palavra velho, idoso, aplicável a certa faixa etária da população. Nos aeroportos, a ladainha é constante! Por que não se usa a expressão correta? Menino é menino, mulher é mulher, idoso é idoso e o jacaré é um bicho! O termo "velho", ou "idoso" virou ofensa, palavrão, e só se diz na ausência.
Nunca ouvi alguém chamar criança de primeira idade; nem jovem de segunda idade. Por que só muda o título para os idosos? Dá pra desconfiar que tem cobra nesse cesto. Fico a matutar qual será a pior idade!
As pessoas inventam termos com os quais imaginam maquiar uma realidade que, pelo jeito, parece ser vergonhosa, pois precisa ser disfarçada. Cria-se um arremedo de tratamento respeitoso que de respeitoso nada tem, pois que trata o envelhecimento como algo feio ou indigno. Para falar dele tem que dourar a pílula! É como querer esconder as marcas do tempo com uma máscara tosca; dar veneno dizendo que é remédio.
O adjetivo correto é trocado por palavras “boazinhas” e politicamente corretas. Uma espécie de consolo para compensar a vergonha de se ter vivido mais. Não se pode expor as marcas do tempo de rosto descoberto.
Alguém escapará de envelhecer? Sim. Os que morrem cedo!
Nunca ouvi alguém chamar criança de primeira idade; nem jovem de segunda idade. Por que só muda o título para os idosos? Dá pra desconfiar que tem cobra nesse cesto. Fico a matutar qual será a pior idade!
As pessoas inventam termos com os quais imaginam maquiar uma realidade que, pelo jeito, parece ser vergonhosa, pois precisa ser disfarçada. Cria-se um arremedo de tratamento respeitoso que de respeitoso nada tem, pois que trata o envelhecimento como algo feio ou indigno. Para falar dele tem que dourar a pílula! É como querer esconder as marcas do tempo com uma máscara tosca; dar veneno dizendo que é remédio.
O adjetivo correto é trocado por palavras “boazinhas” e politicamente corretas. Uma espécie de consolo para compensar a vergonha de se ter vivido mais. Não se pode expor as marcas do tempo de rosto descoberto.
Alguém escapará de envelhecer? Sim. Os que morrem cedo!
FEIO, SÓ PRA VOCÊ!
Quando meu filho mais velho tinha 7 anos, um dia me disse algo que nunca esqueci. Hoje ele tem 38 e com certeza não lembra do que me ensinou. E essa inocente e sábia lição me volta de vez em quando. Eu falava de alguma coisa dizendo que aquilo era feio (do ponto de vista estético). Ele de pronto me disse: "não, mãe! Não diz que isto é feio! Diz que você acha feio. Tem gente que acha bonito!" Pura verdade! Às vezes nos arvoramos a tratar como verdades definitivas aquilo que é apenas a nossa opinião. Cunhamos carimbos de "errado", "feio", "mau" a respeito de coisas, pessoas, comportamentos, emoções sobre as quais nada sabemos, porque não são nossas. Desconhecemos as motivações profundas que levaram as pessoas a determinados caminhos e, assim mesmo, damos sentenças definitivas como juizes infalíveis, a partir dos nossos juizos muitas vezes errôneos e preconceituosos. Ou verdadeiros - mas para nós.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
O BEM REAL
Os bons, os iluminados e os santos não sabem que são bons. Eles fazem o bem porque é assim o seu estado natural de ser; está em suas células, emana do DNA. Nem cogitam de conquistar o paraíso, ou de obedecer leis e mandamentos; tampouco esperam o aplauso e a reverência alheios. Vivem a experiência humana libertos das barganhas para ganhar isto ou aquilo.
São santos porque não sabem ser de outro jeito. Estão na vida como um sol que brilha, aquece e fecunda porque o sol existe pra brilhar, aquecer e fecundar. Simples. Não estão atrelados a normas, religiões, mestres externos, códigos milenares ou contemporâneos. Passam ao largo de todas essas amarras. Podem até viver a experiência da religião, mas não é a religião ou a escola espiritual que os torna o que são. Para eles o amor simplesmente É.
(Ray do Vale)
INICIAÇÕES DE LUZ DOS PLEIADIANOS
Queridos amigos, clientes, colegas e demais interessados,
Em breve iniciarei um trabalho chamado Grupo de Iniciações de Luz. Esse trabalho tem como base o Livro “Iniciação de Luz dos Pleiadianos” de Christine Day, criadora do sistema “Frequências de Brilho”.
São meditações e exercícios transpessoais. Através deles você será levado a acessar sua sabedoria interior e fazer mudanças positivas em sua vida. É um trabalho profundamente curativo.
É muito recomendado para qualquer pessoa e pode ser um poderoso apoio para aqueles que estão em tratamento de doenças graves, físicas e emocionais.
“A verdade é que você mesmo é o seu próprio agente de cura, e somente você pode se alinhar com esse aspecto amoroso e iluminado de seu Self. Ninguém mais pode fazer isso por você. Você começará a se abrir e a se conectar com o amor que está presente em todo o Universo; o amor incondicional da consciência universal. Você é parte disso.” (Christine Day, p. 26)
VEJA DADOS ABAIXO:
FOCALIZADORA: Ray do Vale Terapeuta de Frequências de Brilho Nível 20 e Professora de Maná .
Um encontro por mês, de aproximadamente duas horas e meia.
Sempre no horário das 19 hrs, numa quinta ou sexta (a definir).
Investimento mensal: R$90,00
Duração prevista: 15 encontros.
Início: março/2014
REQUISITOS:
Adquirir o livro, INICIACÕES DE LUZ DOS PLEIADIANOS, Ed. Pensamento. (tem na Saraiva, do Boulevard, R$34,00).
Agendar entrevista prévia (gratuita)
Fones para mais informações : 9983.1560 / 8116.0665.
GARANTA SUA VAGA ANTECIPANDO SUA INSCRIÇÃO
Em breve iniciarei um trabalho chamado Grupo de Iniciações de Luz. Esse trabalho tem como base o Livro “Iniciação de Luz dos Pleiadianos” de Christine Day, criadora do sistema “Frequências de Brilho”.
São meditações e exercícios transpessoais. Através deles você será levado a acessar sua sabedoria interior e fazer mudanças positivas em sua vida. É um trabalho profundamente curativo.
É muito recomendado para qualquer pessoa e pode ser um poderoso apoio para aqueles que estão em tratamento de doenças graves, físicas e emocionais.
“A verdade é que você mesmo é o seu próprio agente de cura, e somente você pode se alinhar com esse aspecto amoroso e iluminado de seu Self. Ninguém mais pode fazer isso por você. Você começará a se abrir e a se conectar com o amor que está presente em todo o Universo; o amor incondicional da consciência universal. Você é parte disso.” (Christine Day, p. 26)
VEJA DADOS ABAIXO:
FOCALIZADORA: Ray do Vale Terapeuta de Frequências de Brilho Nível 20 e Professora de Maná .
Um encontro por mês, de aproximadamente duas horas e meia.
Sempre no horário das 19 hrs, numa quinta ou sexta (a definir).
Investimento mensal: R$90,00
Duração prevista: 15 encontros.
Início: março/2014
REQUISITOS:
Adquirir o livro, INICIACÕES DE LUZ DOS PLEIADIANOS, Ed. Pensamento. (tem na Saraiva, do Boulevard, R$34,00).
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
PERFECCIONISMO
PERFECCIONISMO
Há uma grande diferença entre ser perfeccionista e querer ser cada dia melhor. Buscar o melhor, mover-se para a atualização é um impulso natural; uma tendência que está em toda a Natureza. Foi este impulso que trouxe a humanidade até aqui, de progresso em progresso, nos caminhos da evolução. A planta colocada num lugar de sombra, vai se entortando e retorcendo na direção do sol.
Mas não é esse impulso saudável o que move o perfeccionista. Ele não quer ser melhor. Necessita compulsivamente ser O MELHOR. Seu traço principal é não aceitar que é permitido falhar. Tem que ser cem por cento o tempo todo. E quando não é, sofre muito (embora não admita), envergonha-se, como quem cometeu um ato indigno.
Na verdade, ele é seu maior verdugo. O perfeccionista age com uma terrível tirania contra si mesmo, cobra-se o tempo todo, exige-se o máximo. Nesse esforço a psique consome muita energia vital para construir uma autoimagem irretocável. E falsa! Resultado: tensão muscular, dores de coluna, hipertensão, ansiedade, insônia, desempenho sexual reduzido, doenças do aparelho digestivo, doenças da pele, cardiopatias, etc.
O perfeccionismo tem raízes profundas. Ele vem do sentimento remoto de ser menos, ou de ser nada, nascido de crenças e imagens infantis, na experiência com os pais e com a vida. É uma espécie de robô autoconstruído pela criança, na tentativa de proteger-se da dor. E que se mantém vida afora, dominando os sentimentos e ações do adulto.
Há uma grande diferença entre ser perfeccionista e querer ser cada dia melhor. Buscar o melhor, mover-se para a atualização é um impulso natural; uma tendência que está em toda a Natureza. Foi este impulso que trouxe a humanidade até aqui, de progresso em progresso, nos caminhos da evolução. A planta colocada num lugar de sombra, vai se entortando e retorcendo na direção do sol.
Mas não é esse impulso saudável o que move o perfeccionista. Ele não quer ser melhor. Necessita compulsivamente ser O MELHOR. Seu traço principal é não aceitar que é permitido falhar. Tem que ser cem por cento o tempo todo. E quando não é, sofre muito (embora não admita), envergonha-se, como quem cometeu um ato indigno.
Na verdade, ele é seu maior verdugo. O perfeccionista age com uma terrível tirania contra si mesmo, cobra-se o tempo todo, exige-se o máximo. Nesse esforço a psique consome muita energia vital para construir uma autoimagem irretocável. E falsa! Resultado: tensão muscular, dores de coluna, hipertensão, ansiedade, insônia, desempenho sexual reduzido, doenças do aparelho digestivo, doenças da pele, cardiopatias, etc.
O perfeccionismo tem raízes profundas. Ele vem do sentimento remoto de ser menos, ou de ser nada, nascido de crenças e imagens infantis, na experiência com os pais e com a vida. É uma espécie de robô autoconstruído pela criança, na tentativa de proteger-se da dor. E que se mantém vida afora, dominando os sentimentos e ações do adulto.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
O BIG BROTHER E A NOSSA DUALIDADE
Diariamente ouço, vejo e leio discussões acaloradas, protestos, manifestações de indignação pelas cenas expostas no BIG BROTHER. Isso se tornou comum nas conversas, nas redes sociais e em todos os espaços de comunicação. As expressões furiosas de desagrado, muitas vezes lúcidas e pertinentes, geralmente estão fundamentadas em minuciosa descrição das cenas, diálogos e eventos marcantes do programa.
É fácil perceber que a grande maioria dos que criticam e deploram a decadência de valores que o programa expõe, o assistem regularmente. Se não fosse assim, a emissora não teria a fabulosa audiência que tem! Quem fala com tanta propriedade, vê!
Não queremos discutir o Programa, pois isto já foi feito à exaustão. Também não se trata aqui de julgar a postura dos que veem e saem publicando libelos acusatórios. Tampouco convém colocar nessas pessoas o rótulo de “falsas” ou “mascaradas” por sua aparente incongruência. (Embora seja certo que muitas negam que assistem: “Nunca assisti!” Ou “minha empregada assiste e às vezes eu passo pela sala...” “Dizem que tem um gay debochado no programa..., e por aí afora! )
A questão que se coloca é: o que faz com que se busque o que maltrata e incomoda? Por que se mantém o apego ao que fere a sensibilidade, ao que entristece, dá um “nó na tripa”, ou provoca uma “gastura” moral e até física, como dizia meu saudoso pai?
O que pode reter, por exemplo, alguém grudado a uma tela, vendo um filme de terror, mesmo sabendo que ele impedirá o sono tranquilo, provocando pesadelos? Ou vendo o programa de TV que alardeia violência, mortes e assaltos, aumentando o pavor de se sair às ruas? Não seríamos, ainda hoje, movidos pelas mesmas motivações que no passado levaram multidões a delirar com as cenas sangrentas dos circos romanos, reeditadas hoje nos ringues da vida?
O que é certo é que ainda persiste no ser humano um mecanismo de fidelidade ao que é mórbido e ao que choca. Há em alguns de nós uma parte que ainda quer sentir o cheiro da carniça. E é isto que leva as pessoas à corrida para cenas de brigas de rua, acidentes e tragédias. É esse impulso obscuro que busca as páginas e telas de publicações que expõem o que a espécie humana ainda tem de pior. Não é por outro motivo que as pessoas fazem manifestações legítimas, oportunas contra os governos incompetentes e corruptos, pregando ódio, violência e morte.
Tais expressões externas derivam de algo muito mais complexo que paira nos subterrâneos mal conhecidos do mundo interior de cada um de nós. Qual é a força obscura que empurra o ser humano para experiências, muitas vezes paradoxais?
Para refletirmos sobre essas perguntas, precisamos considerar que vivemos num mundo de dualidades. Tudo se apresenta oscilando entre, no mínimo, dois polos. Nossa vida é toda marcada pelos opostos: feio e bonito; alto e baixo; bom e mau; claro e escuro; amor e ódio; saúde e doença; vida e morte; pecado e virtude.
A cosmologia das religiões, a mitologia e as diversas escolas e caminhos espirituais, ao longo dos séculos e milênios, têm construído suas doutrinas, cultos e pregações em conceitos duais: céu e inferno; zonas de luz e de tormentos; anjos e demônios; divindades do bem e do mal.
Como indivíduos também somos duais. Nossa realidade total é assim. Somos isto E aquilo e não isto OU aquilo. De outro modo não poderíamos explicar por que o gênero humano tem vivenciado, desde sempre, experiências tão díspares. Sim. Somos todos ao mesmo tempo, Luz e Sombra, abismo e colina. Há individualidades que atuam na vida praticando abusos, vilezas e agressões contra si mesmas e contra os outros. E, no entanto, essas mesmas pessoas podem, de forma espontânea e sem qualquer máscara, ser capazes de sentimentos delicados, como o de se comoverem ante o sofrimento alheio, até praticando o bem. Outras ostentam tal feiura moral que se tornam aversivas e repugnantes. E essas mesmas, em alguns momentos, podem manifestar, numa de suas faces incógnitas, vínculos verdadeiros com o belo, com a arte e até com a espiritualidade. Todos temos dentro de nós o "bem" e o"mal". E um não anula, necessariamente, o outro.
O EU de cada um de nós é absolutamente expressivo dessa realidade dualística. Ele compreende aspectos profundamente integrados de amor, criatividade e sabedoria. A partir dele podemos viver experiências genuínas de felicidade, alegria e prazer. Não obstante, misturada a essa tecedura organizada, ainda persiste em todos nós, uma parte não desenvolvida que contém emoções negativas e impulsos como ódio, inveja, medo e crueldade.
Quando pudermos aceitar que não somos perfeitos e que podemos abraçar essa parte ainda em desenvolvimento, ela poderá ser curada, transformando-se em poder positivo. Para fazermos essa travessia, precisamos aprender que a parte que tememos não é a realidade última. É apenas um aspecto impermanente da nossa realidade maior.
O grande convite da vida é abrir-se à experiência de autobusca, empreendendo uma viagem corajosa, que nos levará a um rico território interior, cheio de belezas e possibilidades. Mas precisamos admitir que esse mesmo território é feito, também, de paisagens desconhecidas e nem sempre belas, que precisamos explorar pouco a pouco, passo a passo, para que sejam reconhecidas, aceitas e transformadas.
Ray do Vale - Psicóloga
Email: ray.vale@hotmail.com
Blog: ray-vale.blogspot.com
É fácil perceber que a grande maioria dos que criticam e deploram a decadência de valores que o programa expõe, o assistem regularmente. Se não fosse assim, a emissora não teria a fabulosa audiência que tem! Quem fala com tanta propriedade, vê!
Não queremos discutir o Programa, pois isto já foi feito à exaustão. Também não se trata aqui de julgar a postura dos que veem e saem publicando libelos acusatórios. Tampouco convém colocar nessas pessoas o rótulo de “falsas” ou “mascaradas” por sua aparente incongruência. (Embora seja certo que muitas negam que assistem: “Nunca assisti!” Ou “minha empregada assiste e às vezes eu passo pela sala...” “Dizem que tem um gay debochado no programa..., e por aí afora! )
A questão que se coloca é: o que faz com que se busque o que maltrata e incomoda? Por que se mantém o apego ao que fere a sensibilidade, ao que entristece, dá um “nó na tripa”, ou provoca uma “gastura” moral e até física, como dizia meu saudoso pai?
O que pode reter, por exemplo, alguém grudado a uma tela, vendo um filme de terror, mesmo sabendo que ele impedirá o sono tranquilo, provocando pesadelos? Ou vendo o programa de TV que alardeia violência, mortes e assaltos, aumentando o pavor de se sair às ruas? Não seríamos, ainda hoje, movidos pelas mesmas motivações que no passado levaram multidões a delirar com as cenas sangrentas dos circos romanos, reeditadas hoje nos ringues da vida?
O que é certo é que ainda persiste no ser humano um mecanismo de fidelidade ao que é mórbido e ao que choca. Há em alguns de nós uma parte que ainda quer sentir o cheiro da carniça. E é isto que leva as pessoas à corrida para cenas de brigas de rua, acidentes e tragédias. É esse impulso obscuro que busca as páginas e telas de publicações que expõem o que a espécie humana ainda tem de pior. Não é por outro motivo que as pessoas fazem manifestações legítimas, oportunas contra os governos incompetentes e corruptos, pregando ódio, violência e morte.
Tais expressões externas derivam de algo muito mais complexo que paira nos subterrâneos mal conhecidos do mundo interior de cada um de nós. Qual é a força obscura que empurra o ser humano para experiências, muitas vezes paradoxais?
Para refletirmos sobre essas perguntas, precisamos considerar que vivemos num mundo de dualidades. Tudo se apresenta oscilando entre, no mínimo, dois polos. Nossa vida é toda marcada pelos opostos: feio e bonito; alto e baixo; bom e mau; claro e escuro; amor e ódio; saúde e doença; vida e morte; pecado e virtude.
A cosmologia das religiões, a mitologia e as diversas escolas e caminhos espirituais, ao longo dos séculos e milênios, têm construído suas doutrinas, cultos e pregações em conceitos duais: céu e inferno; zonas de luz e de tormentos; anjos e demônios; divindades do bem e do mal.
Como indivíduos também somos duais. Nossa realidade total é assim. Somos isto E aquilo e não isto OU aquilo. De outro modo não poderíamos explicar por que o gênero humano tem vivenciado, desde sempre, experiências tão díspares. Sim. Somos todos ao mesmo tempo, Luz e Sombra, abismo e colina. Há individualidades que atuam na vida praticando abusos, vilezas e agressões contra si mesmas e contra os outros. E, no entanto, essas mesmas pessoas podem, de forma espontânea e sem qualquer máscara, ser capazes de sentimentos delicados, como o de se comoverem ante o sofrimento alheio, até praticando o bem. Outras ostentam tal feiura moral que se tornam aversivas e repugnantes. E essas mesmas, em alguns momentos, podem manifestar, numa de suas faces incógnitas, vínculos verdadeiros com o belo, com a arte e até com a espiritualidade. Todos temos dentro de nós o "bem" e o"mal". E um não anula, necessariamente, o outro.
O EU de cada um de nós é absolutamente expressivo dessa realidade dualística. Ele compreende aspectos profundamente integrados de amor, criatividade e sabedoria. A partir dele podemos viver experiências genuínas de felicidade, alegria e prazer. Não obstante, misturada a essa tecedura organizada, ainda persiste em todos nós, uma parte não desenvolvida que contém emoções negativas e impulsos como ódio, inveja, medo e crueldade.
Quando pudermos aceitar que não somos perfeitos e que podemos abraçar essa parte ainda em desenvolvimento, ela poderá ser curada, transformando-se em poder positivo. Para fazermos essa travessia, precisamos aprender que a parte que tememos não é a realidade última. É apenas um aspecto impermanente da nossa realidade maior.
O grande convite da vida é abrir-se à experiência de autobusca, empreendendo uma viagem corajosa, que nos levará a um rico território interior, cheio de belezas e possibilidades. Mas precisamos admitir que esse mesmo território é feito, também, de paisagens desconhecidas e nem sempre belas, que precisamos explorar pouco a pouco, passo a passo, para que sejam reconhecidas, aceitas e transformadas.
Ray do Vale - Psicóloga
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