sábado, 17 de dezembro de 2011
ELA VAI CHEGAR!
PARA LÍVIA DO VALE , EM 25/05/2011
Não faz tanto tempo,
Inda lembro a cor:
Era uma cestinha verde,
E tinha fechadura de lacinho,
E cheirinho de alfazema.
E tinha tantas coisinhas dentro!
Tantas coisinhas,
Que não cabem numa rima!
Entre tantas e tantas carícias,
Verdes, rosa, brancas,
Duas mãos de mãe,
Ternas, fortes, (e)ternas
Tocando, chorando,
(arruma, revira, troca, mexe...
Tá bom assim?
Arruma de novo! Muda de lugar!
Daqui a pouco ela vai chegar!)
Linda e cor-de-rosa
Tão cor-de-rosa
Quanto um sapatinho cor-de-rosa,
Ou uma luvinha cor-de-rosa
Ou Livinha... ?
Por que ela tinha que crescer?
E partir - para plantar flores
Em sacadas tão distantes?
. Porque virou mulher!!
E foi levar cestinhas
Cheias de coisinhas.
Quis lançar sementes,
Em úteros já descrentes...
E por causa dela,
Outros vão cantar:
“ELA vai chegar!”
“ELE vai chegar!”
Por que ela tinha que crescer?
E partir - para plantar flores
Em sacadas tão distantes?
Ela virou mulher
E foi levar cestinhas
Cheias de coisinhas.
Quis lançar sementes,
Em úteros já descrentes...
E por causa dela,
Outros vão cantar:
“ELA vai chegar!”
“ELE vai chegar!”
MENINOS ADULTOS, ADULTOS CRIANÇAS
MENINOS ADULTOS, ADULTOS MENINOS
Há uma demanda crescente de jovens que são levados por seus pais aos consultórios de psicólogos e médicos. Esses meninos e meninas estão acuados pelo stress, sentem medo e amargam um pesado sentimento de inadequação, fobias, pressões emocionais e patologias diversas, causadoras de grande sofrimento, físico e psicológico.
São quase crianças, tendo que assumir posturas de adultos e pensar como gente grande. Aos 14, 16, 17 anos já precisam saber se querem ser médicos, juízes, astronautas, desembargadores, reis ou presidentes de multinacionais; precisam decidir se o melhor é estudar mecatrônica (o que será isto?), passar na seleção para o ITA, ou ser apresentador do Jornal Nacional.
E há aqueles que são marcados pelos cursinhos para se tornarem os SUPER , os que vão compor a “TURMA ESPECIAL” - onde só sentam os melhores, os que seguramente vão aparecer no jornal e no outdoor, quando sair o resultado do Vestibular. Esses renderão dividendos à indústria melhor cursinho da cidade.
Cineminha, Futebol, tarde de domingo no shopping, casa de amigo, ou até mesmo dar uma namoradinha, nem pensar! Os que ousam transgredir sucumbem acossados pela culpa e pelo medo dos concorrentes "que a esta hora estão estudando". Eles perderam o direito de viver a mais bonita fase de suas vidas. Já estão vivendo o futuro, compromissados com a profissão que nem sabem se desejam, sem experienciar o presente, do qual tiveram que abrir mão. Já pensam onde vão fazer o Mestrado, o Doutorado, o pós e o pós do pós... Se moram no interior vão para a capital, se estão na capital, vão para outra capital maior, se estão na capital maior, vão para o exterior.
Em tempos nem tão distantes, os adultos perguntavam às crianças: “o que você quer ser quando crescer?”. Hoje não há tempo para crescer. Nem para perguntar.
Esses meninos e meninas vivenciam um paradoxo: eles receberam muito- e tudo de seus pais, viveram todas as facilidades, nunca precisaram lavar o copo no qual beberam água e pouco aprenderam sobre o significado do “se virar”; de uma hora para outra começam ser cobrados e exigidos pela família e pelo meio onde vivem, reféns da cultura do “você tem que vencer, tem que ser o melhor”. Como conciliar duas experiências tão contraditórias sem se perder?
E eles se perdem. Perdem-se em meio a tantas exigências para as quais não foram preparados. E adoecem , e deprimem. Estavam acostumados à calorosa proteção das fraldas. Não haviam aprendido que a vitória requer luta e que às vezes faz bem lavar a própria calcinha/cueca ou arrumar a cama onde se dorme. São fruto de uma geração de pais que os ensinou que eles tem muitos direitos, mas pouco ensinou sobre a outra face da vida - compartilhar deveres.
Ser o melhor, ou ser vencedor também inclui ser linda/ magra, lindo/musculoso, o primeiro/a no vestibular (de medicina, preferencialmente!); aparecer no outdoor do Cursinho com de cabeça raspada, melecada de ovo, tingida de muitas cores e sabores; passar no ITA, ser da turma especial do colégio/cursinho.
Dá até pra perceber duas categorias: os lindos, perfeitos e sarados, que dificilmente vem aos consultórios. Estão encantados com o espelho e pouco percebem além de suas barrigas/ tanquinho e do sonzão de seus carros top de linha! Os pais também.
Mas os do Vestibular, estes estão suando frio, vomitando silêncios, amargando gastrites, síndrome de pânico, sentimento de culpa (meus pais não me cobram, mas sei que o maior sonho deles é que eu passe!). Estão tristes, além de tudo, com a autoestima em decadência porque ficaram mais redondinhos e pesados. Perderam o direito de definir os músculos na Academia.
Os pais também estão com gastrite erosiva, corrosiva, implosiva (existe?) e também vomitam: às vezes bílis, medos, inseguranças sobre seu papel de bons pais; mas também vomitam, sem querer, impropérios, alguns explícitos, outros amorosos e velados. Sofrem tanto quanto seus filhos, porque querem ser pais perfeitos de filhos igualmente perfeitos. E, como eles, sentem medo e culpa. E ainda precisam fingir que, se o filho não passar, será a coisa mais natural do mundo! Os filhos sabem que não é assim!
Este é um fenômeno da nossa época. Não estamos desqualificando a necessidade do estudo, o compromisso com uma carreira, a responsabilidade diante da vida e de suas demandas. Uma boa formação moral, espiritual e intelecutual é o que de melhor podemos legar aos nossos filhos. Também não desejamos enveredar pelo caminho do julgamento maniqueísta de que o que ocorre hoje é bom ou mau, aceitável ou condenável. São os tempos novos, com suas dores e com seus dons.
Mas podemos encontrar caminhos de ajuda que nos preparem para uma relação melhor com nossos filhos, formando cidadãos mais "equipados" para essas travessias; podemos oferecer a eles recursos para o enfrentamento saudável desses tempos novos que nos encantam mas que também nos assustam. Eles tem direito a construir uma consciência mais clara a respeito de seus próprios desejos e sonhos – REAIS!
(Texto de Ray do Vale)
Há uma demanda crescente de jovens que são levados por seus pais aos consultórios de psicólogos e médicos. Esses meninos e meninas estão acuados pelo stress, sentem medo e amargam um pesado sentimento de inadequação, fobias, pressões emocionais e patologias diversas, causadoras de grande sofrimento, físico e psicológico.
São quase crianças, tendo que assumir posturas de adultos e pensar como gente grande. Aos 14, 16, 17 anos já precisam saber se querem ser médicos, juízes, astronautas, desembargadores, reis ou presidentes de multinacionais; precisam decidir se o melhor é estudar mecatrônica (o que será isto?), passar na seleção para o ITA, ou ser apresentador do Jornal Nacional.
E há aqueles que são marcados pelos cursinhos para se tornarem os SUPER , os que vão compor a “TURMA ESPECIAL” - onde só sentam os melhores, os que seguramente vão aparecer no jornal e no outdoor, quando sair o resultado do Vestibular. Esses renderão dividendos à indústria melhor cursinho da cidade.
Cineminha, Futebol, tarde de domingo no shopping, casa de amigo, ou até mesmo dar uma namoradinha, nem pensar! Os que ousam transgredir sucumbem acossados pela culpa e pelo medo dos concorrentes "que a esta hora estão estudando". Eles perderam o direito de viver a mais bonita fase de suas vidas. Já estão vivendo o futuro, compromissados com a profissão que nem sabem se desejam, sem experienciar o presente, do qual tiveram que abrir mão. Já pensam onde vão fazer o Mestrado, o Doutorado, o pós e o pós do pós... Se moram no interior vão para a capital, se estão na capital, vão para outra capital maior, se estão na capital maior, vão para o exterior.
Em tempos nem tão distantes, os adultos perguntavam às crianças: “o que você quer ser quando crescer?”. Hoje não há tempo para crescer. Nem para perguntar.
Esses meninos e meninas vivenciam um paradoxo: eles receberam muito- e tudo de seus pais, viveram todas as facilidades, nunca precisaram lavar o copo no qual beberam água e pouco aprenderam sobre o significado do “se virar”; de uma hora para outra começam ser cobrados e exigidos pela família e pelo meio onde vivem, reféns da cultura do “você tem que vencer, tem que ser o melhor”. Como conciliar duas experiências tão contraditórias sem se perder?
E eles se perdem. Perdem-se em meio a tantas exigências para as quais não foram preparados. E adoecem , e deprimem. Estavam acostumados à calorosa proteção das fraldas. Não haviam aprendido que a vitória requer luta e que às vezes faz bem lavar a própria calcinha/cueca ou arrumar a cama onde se dorme. São fruto de uma geração de pais que os ensinou que eles tem muitos direitos, mas pouco ensinou sobre a outra face da vida - compartilhar deveres.
Ser o melhor, ou ser vencedor também inclui ser linda/ magra, lindo/musculoso, o primeiro/a no vestibular (de medicina, preferencialmente!); aparecer no outdoor do Cursinho com de cabeça raspada, melecada de ovo, tingida de muitas cores e sabores; passar no ITA, ser da turma especial do colégio/cursinho.
Dá até pra perceber duas categorias: os lindos, perfeitos e sarados, que dificilmente vem aos consultórios. Estão encantados com o espelho e pouco percebem além de suas barrigas/ tanquinho e do sonzão de seus carros top de linha! Os pais também.
Mas os do Vestibular, estes estão suando frio, vomitando silêncios, amargando gastrites, síndrome de pânico, sentimento de culpa (meus pais não me cobram, mas sei que o maior sonho deles é que eu passe!). Estão tristes, além de tudo, com a autoestima em decadência porque ficaram mais redondinhos e pesados. Perderam o direito de definir os músculos na Academia.
Os pais também estão com gastrite erosiva, corrosiva, implosiva (existe?) e também vomitam: às vezes bílis, medos, inseguranças sobre seu papel de bons pais; mas também vomitam, sem querer, impropérios, alguns explícitos, outros amorosos e velados. Sofrem tanto quanto seus filhos, porque querem ser pais perfeitos de filhos igualmente perfeitos. E, como eles, sentem medo e culpa. E ainda precisam fingir que, se o filho não passar, será a coisa mais natural do mundo! Os filhos sabem que não é assim!
Este é um fenômeno da nossa época. Não estamos desqualificando a necessidade do estudo, o compromisso com uma carreira, a responsabilidade diante da vida e de suas demandas. Uma boa formação moral, espiritual e intelecutual é o que de melhor podemos legar aos nossos filhos. Também não desejamos enveredar pelo caminho do julgamento maniqueísta de que o que ocorre hoje é bom ou mau, aceitável ou condenável. São os tempos novos, com suas dores e com seus dons.
Mas podemos encontrar caminhos de ajuda que nos preparem para uma relação melhor com nossos filhos, formando cidadãos mais "equipados" para essas travessias; podemos oferecer a eles recursos para o enfrentamento saudável desses tempos novos que nos encantam mas que também nos assustam. Eles tem direito a construir uma consciência mais clara a respeito de seus próprios desejos e sonhos – REAIS!
(Texto de Ray do Vale)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
PRISÃO
Tanto tempo engaiolado,
E o passarinho esqueceu
Que tinha asas brilhantes
E podia alçar-se aos céus.
Passou a amar a prisão,
Cedeu alma e coração,
Morto, pensou que viveu.
Tanto tempo na masmorra
E o cavaleiro valente,
Perdeu poder, luz e força,
Espírito, saúde e mente,
Amarrou-se ao carcereiro,
Fez dos ratos seus parceiros,
Rendeu-se ao frio - descrente...
Quando a bastilha caiu,
Não viu o sol bem à frente...
Quedou-se, deitado, inerte,
Sem coragem de ir em frente,
Acostumou-se ao bafio,
Por leito tinha o chão frio,
Recusou a cama quente.
(Ray do Vale)
MASMORRA
MASMORRA
Na masmorra dos dias apagados
Te escondes de mim, distante e frio,
Como se fosses refém, sentenciado.
Num castelo vigiado e bem sombrio
Não te posso sentir, ouvir ou ver,
Nem mesmo por minutos, disfarçado...
Vejo-me triste, inerte e sem poder,
De ao menos vislumbrar na cidadela,
Teus olhos que parecem me esquecer,
Amendrontados, contidos numa cela.
Que sem luz, de temor fingem não ver
Os meus que choram, olhando tua janela.
Somam-se noites, saudades, solidões
Brotam revoltas, desfazem-se alegrias,
E neste não passar, passam-se os os dias,
Vejo entre nós portões velhos e pesados,
E assim percebo que também meu coração
A cada dia vá ficando encarcerado.
UMA VIVÊNCIA NO PATHWORK
Caminhando, manhã cedo
Vi folhas verdes e brilhantes
Brotando, ousadas,
Por entre galhos envelhecidos,
Noutros caminhos
- Nem tão diferentes -
Vi crenças caindo - como galhos secos,
Sob mantos brancos,
Desfiados, enfeitados
Por mãos infantis,
Disfarçadas de adultos,
De onde brotavam
Verdades verdes - como folhas novas.
E vi homens grandes
Que despiram togas
Para chorar
No ombro da inocência
De outros homens crianças
Os papéis amassados
Sob travesseiros ensopados de medo
Deram voz a crianças perdidas,
Atiradas pelas janelas,
Renascidas dos pesadelos
Para a salvação.
MOLDURA VAZIA
Às vezes te ouço e vejo, bem real:
Tens voz, calor, olhar e emoção.
Logo depois, és a sombra impessoal.
Busco tu'alma na memória fria,
Exposta, inerte, em tristonha galeria.
E nela não te encontro o coração.
Se te sonho, gentil e respeitoso,
Vejo-te homem, pai, irmão, amigo.
Transitando entre afetos, generoso...
E, então, não jazes mais preso à moldura;
Tens um peito repleto de de ternura
Não és quimera, és alguém - e estás comigo.
Sinto-te o toque, e meu corpo aquece e pulsa...
Ao meu ouvido, tua voz quente e viril,
Sussura coisas, promessas, devaneios..
Logo desperto e te vejo qual miragem...
Fica a memória feliz da tua imagem;
Deito em teu peito, não estás... só o vazio...
Tens voz, calor, olhar e emoção.
Logo depois, és a sombra impessoal.
Busco tu'alma na memória fria,
Exposta, inerte, em tristonha galeria.
E nela não te encontro o coração.
Se te sonho, gentil e respeitoso,
Vejo-te homem, pai, irmão, amigo.
Transitando entre afetos, generoso...
E, então, não jazes mais preso à moldura;
Tens um peito repleto de de ternura
Não és quimera, és alguém - e estás comigo.
Sinto-te o toque, e meu corpo aquece e pulsa...
Ao meu ouvido, tua voz quente e viril,
Sussura coisas, promessas, devaneios..
Logo desperto e te vejo qual miragem...
Fica a memória feliz da tua imagem;
Deito em teu peito, não estás... só o vazio...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
LYOTO: VITÓRIA x DERROTA; SIM x NÃO
Nesta madrugada recebemos um grande NÃO! Belém foi dormir com um nó de tristeza na garganta: Lyoto Machida perdeu a Luta. (perdeu?) Grupos numerosos de fãs retiravam-se das reuniões barulhentas, em torno da Cidade , onde pouco antes celebravam ou sofriam, a cada golpe, dependendo de quem vinha. Nem a Lei seca afastou dos bares aqueles que esperava comemorar, mesmo sem cerveja! Os elevadores dos prédios estavam lotados de visitantes que desciam silenciosos, de volta para suas casas. Até os motores dos carros, nas ruas, roncavam mais baixo, quase num gemido.
Fiquei refletindo em como é difícil para nós humanos aceitar a vida do jeito que ela é: DUAL, polarizada, com duas faces, no mínimo: vitória X derrota; feio X bonito; guerra X paz; alto X baixo; claro X escuro: sombra X luz; pobreza X riqueza; vida X morte.
Quando o dia clarear, um outro NÃO fará a nossa alegria e a nossa vitória. A vitória de um pólo, de um lado do nosso Pará. Não é interessante? Alguns se sentirão perdedores, frustrados e deixarão os telões da apuração dos votos, também cabisbaixos, como os fãs de Lyoto. Amanhã uma parte do Pará será JOHN JONES – o vencedor...
O que é GANHAR, afinal ? Teremos a capacidade de avaliar o significado de uma vitória ou de uma derrota, a não ser pela nossa esfumaçada lente do imediatismo?? O que poderemos aprender quando transitamos ora num extremo, ora noutro da dualidade? Lembro uma música do início do Movimento Tropicalista que dizia assim: “o que dá pra rir, dá pra chorar; questão só de peso e medida: problema de hora e lugar, mas tudo são coisas da vida! “
O bom é saber que, pela sua formação e pela sua fibra, o nosso atleta tirará, certamente, uma vitória dessa aparente derrota. Ele sabe, pela sua formação, que os reveses da vida trazem sempre nas entrelinhas uma sábia interrogação: o que isto me diz? o que me ensina? E a resposta vem a reboque. É só ter olhos de ver...
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