sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ORGULHO, FILHO DO MEDO

É estranho o orgulho ser considerado um “pecado”. Ao contrário, é uma doença ou, se é possível dizer assim, um castigo. E quase sempre revela a dor sombria , tensa, que vem dos porões das experiências da infância. Sentir-se, melhor, mais que o outros é uma pseudossolução inconsciente para esconder o sentimento (também inconsciente) de “ser nada ou muito pouco”. O arrogante, autoritário, crítico impiedoso, esconde um profundo medo de si mesmo, porque não confia no que é; tampouco sabe das suas potencialidades. E como também tem medo dos outros, precisa de um controle constante para não ser ferido. Como defesa, fere antes. Ninguém pense que um orgulhoso é feliz. Ele despende muita energia fingindo ser o que pensa que deve ser. Isso torna sua vida difícil, laboriosa, extenuante. Vive subnutrido da espontaneidade que torna a vida relaxada, alegre e segura. E não estamos falando do outro. Quem sabe possamos olhar o orgulho nosso de cada dia, investigando qual é a nossa dor não reconhecida.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O QUE NÃO DIZER

Poucas pessoas tem coragem de manifestar, hoje em dia, sua preferência por esse ou aquele partido político, por essa ou aquela escola, movimento ou ideia. Há um patrulhamento inquisitorial, atirando á fogueira os mais destemidos que se arvoram a opinar a favor ou contra o que pensam outros. E todos falam de liberdade de expressão. Mas, se alguém expressa o que outro não quer, vem ofensa e linchamento. Há os senhores absolutos da verdade. Na defensiva, e para evitar riscos, todo mundo diz, mas pouco se diz. Ou o dizer não tem base ou consistência. O efeito disso? Não se sabe, ao certo, a quantas andam os porões do sentimento coletivo. E podem surgir surpresas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ONDE FOI QUE EU ERREI?


De tempo em tempos circulam na rede, mensagens e vídeos mostrando crianças inteligentes e expressivas reclamando mais presença dos pais em suas vidas. São alvo de perguntas diretivas, induzindo respostas que levam os pequeninos às lágrimas, tendo que escolher entre um presente de Papai Noel e a presença dos pais por mais tempo, em casa.
É verdade que pais ausentes fazem falta; e ninguém duvida de que criança requer figuras de proteção por perto. É certo que essas mídias bem produzidas e editadas contém algo de educativo e sugerem alertas. Entretanto, para pais e mães já encharcados de culpa, elas são um soco no estômago. E trazem nas entrelinhas bem traçadas um componente subliminar de crueldade, para arrancar lágrimas dos malvados vilões. Quem produz essas peças, certamente pouco sabe sobre a dor de muitas mães que choram, altas horas, diante de caminhas e berços dorminhocos, amargando a dor de terem passado o dia longe de casa, lutando pelo pão de todo dia. Essas mensagens bonitas, coloridas de boas intenções, enfiam o dedo na ferida de gente comun, pais bons, atrapalhados, às vezes, mas amorosos, sim. Pais e mães que correm, voam às vezes, pressionados pelo dever profissional e que se dividem, ansiosos e ruminando gastrites, entre a reunião de trabalho e a festinha na escola; entre as exigências e metas do empregador e o desejo de ajudar no dever de casa.
É verdade que às vezes alguns passam da conta e vão além do razoável, na competitividade de uma época de cifrões e títulos acadêmicos. Mas a maioria busca apenas a sobrevivência digna. E são esses que perdem o sono por não serem pais bons.
Quem são esses pais que geraram filhos emaranhados em fios, redes, iclouds e downloads? São gente que luta, acerta e se confunde. Não são maus, nem maltratam crianças. São apenas diferentes dos pais antigos. Elas já não vivem entre panelas e bordados. Mas, como suas mães e avós, são corajosas mulheres, que bordam o tecido da sobrevivência a peso de luta, fazendo alquimias com o tempo escasso para adoçar a vida de seus filhos que muitas vezes criam sozinhas. Eles, os pais, estão longe de ser apenas os provedores, cujo maior dever era encher a despensa. São homens que trocam fraldas e empurram carrinhos pelas praças e shoppings da vida , sem vergonha de ser “femininos”. Os tempos mudam, as sociedades e os homens mudam. O que não muda é a necessidade de amor e de calor. Haveremos de encontrar caminhos atuais para necessidades que são de todas as épocas e de todas as humanidades.
Abençoados sejam os pais e mães da nossa época, cheios de perguntas, com poucas certezas e muito aperto no peito. Querem amar e amor. Hoje, como antes, são pais e mães possíveis. Os melhores que podem ser!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A CRIANÇA INTERNA, EM NÓS 12/10/2015


Hoje, poderia escrever um belo texto sobre meus filhos e netos, ou criar um poema para todas as crianças. Preferi falar da cura da nossa criança interna.
Todos nós, em determinados momentos da vida, agimos e reagimos a partir de uma consciência infantil. Tanto na expressão de feridas antigas, quanto na espontaneidade, alegria e inconsequência da criança alegre e feliz.
Não que sejamos infantis no sentido comum do termo. Mas há, em todas as pessoas, sem exceção, aspectos da consciência que ficaram congelados em memórias da infância. Uma determinada experiência vivida nos primeiros anos, na relação com os adultos significativos, gerou um choque e a energia vital entrou em colapso, naquele momento. E esse "retrato" antigo continuará decorando a sala da vida, comandando ações e sentimentos do adulto, de forma inconsciente. São as imagens. Marcam como ferro em brasa. Delas brotam as crenças e as generalizações, que perduram e são poderosas em seus efeitos. Não significa que o pai ou a mãe foram monstros maldosos; o que vale é a forma como a criança vivenciou e registrou a experiência. E se na vida adulta esses registros subjetivos não forem reconhecidos e trabalhados, podem fazer estragos. Todos nós agimos e reagimos a partir de vozes e sentimentos da infância mais remota. Às vezes até de antes do nascimento. Muitas de nossas reações têm essa origem. É comum reagirmos no presente, a situações do passado. Há uma criança dentro de nós, falando e reagindo o tempo todo, trazendo todo tipo de “má-criação”. Às vezes você tem conflitos nas relações atuais e, na verdade, está confrontando seu pai ou sua mãe, atualizando a revolta não expressa pela criança que você foi, e que continua viva. Os sentimentos infantis represados emergem vigorosos e sem controle, no momento inoportuno e com a pessoa errada.
A boa notícia é: o que a alma deseja, reeditando as velhas histórias, é encontrar a cura para as velhas feridas. Mesmo que faça isso de forma atrapalhada e tosca.
Na contrapartida, poderemos hoje, como adultos, dialogar com nossa criança interna, reconhecendo suas razões, dando acolhida ás suas queixas, mas também contando a elas historinhas mais reais sobre o que aconteceu de verdade.
Um 12 de outubro de encontro com sua criança!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

OUVIR É FÁCIL. DIFÍCIL É ESCUTAR...


Muito ruim, quando num momento difícil, a pessoa se abre numa confidência, ou num desabafo e o outro, ao invés de escutar e oferecer o ombro quente, vem logo dando uma solução do tipo: "deixa pra lá!" "não liga pra isto!" "mas também! Tú fez por onde!"
Melhor é o silêncio compreensivo e atento, ou simplesmente ouvir algo como: "é... sei como é difícil..."
Julgamento e crítica é tudo o que não cabe nessa hora!

AS ORDENS INCONSCIENTES DO AMOR


A família é um sistema forte, onde os laços são muito poderosos. Mesmo aquelas que se desestruturam, mantém uma solidariedade inconsciente entre seus membros, uma espécie de "ordem do amor", que não depende dos conflitos e desordens aparentes. É assim que muitas vezes reeditamos histórias, doenças e padrões doentios que pertencem aos nossos familiares, mesmo aqueles que detestamos ou nem conhecemos. Trata-se de uma tentativa dessa ordem inconsciente, de reequilibrar o sistema. E geralmente as pessoas mais sensíveis da família adoecem e desorganizam sua vida, nessa tentativa atrapalhada de salvação. Necessário trazer à luz esses emaranhamentos, deixando com cada antepassado com o que é seu e no seu lugar de dignidade.
Para quem não sabe, esse é um dos focos das Constelações Familiares.

A CRIANÇA EM NÓS



Todos nós, em determinados momentos de nossas vidas, agimos e reagimos a partir de uma consciência infantil. Não que sejamos infantis no sentido comum do termo. Mas há, em todas as pessoas, sem exceção, aspectos da consciência que ficaram congelados em memórias da infância. Uma determinada experiência da criança, na relação com os adultos significativos, gerou um choque e a energia vital entrou em colapso, naquele momento. É como uma foto. Não! Não é como uma foto! É como um “retrato”, daqueles antigos, que ficavam na parede a vida toda. Pois bem: esse retrato continuará “enfeitando” a sala da vida, comandando as ações e sentimentos do adulto, de forma inconsciente. São as imagens. Marcam como ferro em brasa. Delas brotam as crenças que perduram e são poderosas em seus efeitos. Se não forem reconhecidas e trabalhadas podem fazer estragos. Por exemplo, uma menina que viu sua mãe submetida à violência do pai, pode generalizar essa experiência de diversas maneiras: 1) todos os homens são violentos; 2) todas as mulheres bondosas (como minha mãe) sofrem violência; 3) se eu me relacionar com os homens, sofrerei violência; portanto, melhor fugir deles; 4) melhor maltratá-los, antes que me maltratem; 5) vingarei minha mãe, maltratando os homens; 5) nunca serei igual à minha mãe! Comigo vai ser diferente! 6) vou atrair para minha vida homens violentos; assim eu confirmo que todos eles são mesmo maus. E por aí a fora. São apenas exemplos.
Com os homens não é diferente; as experiências infantis negativas com as mulheres de sua vida, contaminam a relação com o feminino na vida adulta. Estas são apenas algumas situações mais comuns.
Todos nós agimos e reagimos a partir de vozes e sentimentos da infância mais remota. Às vezes até de antes do nascimento. Muitas de nossas reações têm essa origem. É comum reagirmos no presente situações do passado. Às vezes você briga com seu companheiro ou companheira e, na verdade, está confrontando seu pai ou sua mãe, atualizando a revolta não expressa pela criança que você foi e que continua viva. Os sentimentos infantis represados emergem vigorosos e sem controle no momento inoportuno e com a pessoa errada.
A boa notícia é: o que a alma deseja, reeditando as velhas histórias é encontrar a cura para as velhas feridas. Mesmo que faça isto de forma atrapalhada e tosca.