terça-feira, 24 de julho de 2012

FACEBOOK: TEXTOS E AUTORES


Diariamente leio textos compartilhados no Facebook atribuídos às mais estranhas autorias. Um dos autores mais citados é Fernando Pessoa. Sem falar em Picasso, Salvador Dali, Drumond, Arnaldo Jabor, Freud, Mário Quintana (coitado! Sai cada coisa em seu nome!), Ghandi, Madre Tereza, Jesus Cristo, o Papa e sei lá quem mais! Atenho-me, neste caso, a Fernando Pessoa. Não é preciso conhecer muito a sua obra para reconhecer que determinados escritos nada tem a ver com seu estilo e sua linguagem. Basta ter uma leve noção de como é diferente o português de Portugal. Nem é preciso saber como escreviam os poetas portugueses! Às vezes fico a pensar que desconheço um de seus heterônimos, especializado em autoajuda, tantos são os textos adocicados que se publicam em seu nome.
O Facebook é um recurso extraordinário de informação, de relação, de mídia rápida e barata, multiplicação de conhecimento, etc. etc. Mas, como qualquer coisa na vida, pode estar a serviço das pessoas e das massas ou contra, dependendo do cuidado com que se utiliza. Não é porque um texto é bom que ele pode ser atirado na sacola autoral de qualquer pessoa importante. Infelizmente há os que saem batizando textos, sem qualquer escrúpulo ou compromisso com a verdade, jogando em nosso peito qualquer mensagem – verdadeira opu falsa, perversa ou nobre. E nós? Vamos engulindo tudo? Precisamos sair divulgando, compartilhando, sem uma olhadinha da boa crítica ?

domingo, 27 de maio de 2012

O DEUS DE SPINOZA


(Postei este texto no meu BLOG porque escrevi sobre ele, respondendo a uma pergunta feita por um amigo).


O DEUS DE SPINOZA
Albert Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

DEUS SEGUNDO SPINOZA

“Para de ficar rezando e batendo o peito!
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável.
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.

Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...

Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim.

Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.

Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?

Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.

Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.

Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que Te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.

Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste...
Do que mais gostaste?
O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim.

Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria!
Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.


Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.

Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.”

Baruch Spinoza.

Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII

dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.

Era de família judaica e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.




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sexta-feira, 6 de abril de 2012

RESPOSTA A SÉRGIO SOBRE O DEUS DE SPINOZA

Respondo email do meu amigo Sérgio, a respeito do texto de Spinoza:

Oi, Sérgio,
Vamos ver o que eu consigo elaborar acerca do que você me escreveu sobre o texto. Não é fácil, mas vou tentar, sem qualquer pretensão de chegar a uma resposta definitiva. Estou abrindo uma fresta num tema muito nebuloso; não sei se você conseguirá olhar por ela, ou se fará sentido pra você. Como eu falei antes, vou apenas refletir.

Sobre o texto, esta é apenas a visão de Spinoza. Também não é a Verdade. E existe a Verdade? É uma visão filosófica e, ao mesmo tempo poética. Spinoza, a serviço da poesia e da Filosofia, humanizou Deus. E falou de um Deus que conversa, que argumenta, que expõe, que polemiza. Spinoza deu palavra a esse Deus para que ele possa chegar mais perto de nós. Colocou Deus para dialogar conosco; e não poderia usar outra linguagem que não a nossa. Pura licença poética.

“Deus não é entendido por Spinoza como um Ser à parte e/ou externo ao mundo, que o governa como um engenheiro ou habilidoso artesão, mas como a Divindade da Ordem Eterna da Natureza, muito superior ao entendimento fragmentado e antropomorfista humano. É, enfim, o Grande Uno que se expressa nos Muitos, e que se faz a partir de Si mesmo. Uma visão estranha ao mundo ocidental, mas bem de acordo com as mais sofisticadas concepções orientais do Divino”.

Pra vc ver, como é a sincronicidade: antes de ler seu email havia postado no Facebook o seguinte:

Para Carl Gustav Jung, você não precisa crer em Deus; Deus é objeto de uma experiência. Na mesma linha, Pascal afirma que "crer não é pensar"; crer é sentir. Sentir Deus é uma experiência tão profunda que você não pode negar sem negar a si mesmo. Na relação real com Deus, você sabe que Deus pertence ao seu universo interior e você o experimenta.

Penso que o nosso grande problema em viver a experiência de Deus é que o humanizamos e o compreendemos limitado à nossa perspectiva humana - que é restrita e está contida num limitado universo conceitual. Definimos grosseiramente o que é indefinível. E então concebemos um Deus que é "pai", geralmente com as características que atribuimos aos nossos pais biológicos; cobramos de Deus porque faz coisas (certas ou erradas), como nós; bajulamos Deus, como fazemos na vida para ganhar vantagens (graças a Deus! Se Deus quiser! com a graça de Deus! Deus é tão bom! Deus, faz meu filho ganhar a partida! ou faz meu genro ganhar a luta! rsrsrs); fazemos negociatas com Deus; colocamos Deus em frases medíocres, plotadas em nosso carro, como a dizer: vejam! sou melhor que vocês! Sou amigo do Cara! Precisamos tanto de um Deus humano que transformamos Jesus Cristo em Deus!

E, meu amigo, Deus não cabe em nada, nada o define, não tem nome, não tem endereço; deus não faz, não diz, não ouve, não vê, não está em cima, não está abaixo, nem na terra nem no céu. Deus não cabe em nossos verbos, não cabe em nosso dizer estreito. Simplesmente porque Deus não cabe em palavra alguma, em letra alguma, em qualquer conceito ou linguagem . Deus nem precisa ser escrito com letra maiúscula! DEUS É! No máximo, através do nosso limitado aparato neural, podemos dizer que é possível viver, experienciar Deus - como propuseram Pascal e Jung, cada um do seu jeito. Como eu posso explicar/definir Deus!? Eu não tenho equipamento mental, nem espiritual, nem neurológico para isto!

Mas, arriscaria a dizer que, para mim, a forma possível de tratar de Deus, de falar a respeito, com os recursos que tenho (porque as perguntas estão em toda parte...), é confundindo-o com as leis naturais, como fez Spinoza. Dessa forma posso refletir com você sobre as diferenças que lhe deixam perplexo.

Podemos, de forma bem didática e bem prosaica, imaginar uma pessoa que come em excesso e que passa mal; ou que dirige de forma imprudente e se envolve num acidente; ou que não trabalha e quer prosperidade; o que aconteceu? Transgressões à Lei Natural. Um estômago humano comporta certa medida de alimentos. A leis da física e da mecânica estabelecem que a partir de certa velocidade... Quem não paga o preço, não recebe. Desses desalinhamentos com a Lei, vem consequências. Deus agiu diretamente, como uma freira moralista, dando-lhe um castigo? Não. A lei natural agiu no seu dinamismo perfeito. Nada de punição, nada de castigo: realinhamento com a Lei. Como os Lírios do Campo.

Não é um caso pessoal, como costumamos compreender: por que Deus fez isto comigo? Ou com o outro? Ou com o mundo? Ou com a chuva? Tudo segue uma ordem, perfeita, inexorável, sábia, harmoniosa. Nem sempre somos capazes de compreender essa ORDEM. Lembra dos nossos limites? Mas podemos admitir que essa Ordem existe.

Se olhamos grande, considerando a nossa trajetória de múltiplas repetições de experiências encarnatórias, compreendemos o que acontece. A lei vai agindo, agindo, até que cheguemos à homeostase, ao equilíbrio harmónico com as Leis, em sua maior dimensão; isso se dá passo a passo, experiência, após experiência, aprendizado após aprendizado.

Você já viu como a Natureza busca o equilíbrio? Já viu uma árvore cortada, renascendo do tronco? Já viu uma gata cortando o umbigo e lambendo o filhote após o parto? Ou um galho crescendo na direção do sol? Ou entortando-se para que a árvore se equilibre num eixo que não a deixa tombar? Conosco é assim também. Não somos mais nem menos que as árvores, os lírios do campo, os pássaros do Céu.

Pois é. Acho que basta por hoje. Já tá saindo fumaça das orelhas. Quando receber, confirme. Um abraço. Ray

Em tempo: Spinoza foi condenado pela igreja. Se souber que eu fui pra fogueira, por favor, jogue ao menos um pouco de água!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O BIG BROTHER BBB e A DUALIDADE DE TODOS NÓS


Diariamente ouço, vejo e leio discussões acaloradas, protestos, manifestações de indignação pelas cenas expostas no BIG BROTHER. Isso se tornou comum nas conversas, nas redes sociais e em todos os espaços de comunicação. As expressões furiosas de desagrado, muitas vezes lúcidas e pertinentes, geralmente estão fundamentadas em minuciosa descrição das cenas, diálogos e eventos marcantes do programa.
Uma evidente constatação é a de que a grande maioria dos que criticam e deploram a decadência de valores que o programa expõe, o assistem regularmente. Se não fosse assim, a emissora não teria a fabulosa audiência que tem!
Numa alusão bem humorada, seria mais ou menos como aquela situação, muito comum, que ocorre com todos nós: quem nunca experimentou ficar um dia inteiro, às vezes até dois ou três dias, cantando compulsivamente aquela musiquinha detestável, que foi ouvida ao acaso? De que escaninhos vem esse impulso para fazer aquilo que nos leva ao desprazer?
Não queremos discutir o Programa, pois isto já foi feito à exaustão. Também não se trata aqui de julgar a postura dos que veem e saem publicando libelos acusatórios.
Tampouco convém colocar nessas pessoas o rótulo de “falsas” ou “mascaradas” por sua atitude digamos, incongruente. (Embora seja certo que muitas negam que assistem: “Nunca assisti”! Ou “minha empregada assiste e às vezes eu passo pela sala...” “Dizem que tem um gay debochado no programa...” e por aí afora! )
A questão que se coloca é: o que faz com que se busque - às vezes tão avidamente - aquilo que maltrata? Por que se mantém o apego àquilo que fere a sensibilidade, ao que entristece, que dá um “nó na tripa”, ou provoca uma “gastura” moral, como dizia meu saudoso pai?
O que pode reter alguém grudado à tela, vendo um filme de terror, mesmo sabendo que ele impedirá o sono tranquilo, provocando pesadelos? Ou vendo o programa de TV que alardeia violência, mortes e assaltos, aumentando o cortisol na corrente sanguínea e o pavor de se sair às ruas?
Não seriamos, ainda hoje, movidos pelas mesmas motivações obscuras que no passado levaram multidões a delirar com as cenas sangrentas dos circos romanos?
Seria esse mesmo mecanismo interno, o que leva as pessoas a saírem correndo para assistir a uma briga de rua, a buscarem as páginas vermelhas dos jornais, a darem grande audiência a programas que expõem o lado sombrio da vida, ou vendem, como espetáculo, as deformidades e misérias humanas?
Essas e outras manifestações externas derivam de algo muito mais complexo que paira nos subterrâneos escuros e mal conhecidos do mundo interior de cada um de nós.
Qual é a força escondida que empurra o ser humano para essas experiências , muitas vezes paradoxais?
Para refletirmos sobre essas perguntas, precisamos considerar que vivemos num mundo de dualidades. Tudo se apresenta oscilando entre, no mínimo, duas polaridades. Nossa vida é toda marcada pelos opostos: feio e bonito; alto e baixo; bom e mau; claro e escuro; amor e ódio; saúde e doença; vida e morte; etc.
A cosmologia das religiões, a mitologia e as diversas escolas e caminhos espirituais, ao longo dos séculos e milênios, têm construído suas bases doutrinárias, cultos e pregações em conceitos duais: céu e inferno; zonas de luz e de tormentos; anjos e demônios; divindades do bem e do mal.
Quando retrocedemos na história da humanidade, identificamos os resultados das ações humanas, tanto dos indivíduos quanto das coletividades, sempre na esteira dessas duas vias opostas: bravura e covardia; vencedor e vencido; certo e errado; usurpador e usurpado.
Nossa realidade total é assim. Somos isto E aquilo e não isto OU aquilo. De outro modo não poderíamos explicar por que o gênero humano tem vivenciado, desde sempre, experiências tão díspares.
Sim. Somos todos ao mesmo tempo, Luz e Sombra. Não é um fato incomum - e isso todos nós já vimos alguma vez - que a mesma pessoa que sente prazer em remexer a carniça, mesmo com ânsias de vômito, ou que traz a carniça em suas próprias entranhas; que essa mesma pessoa que expressa na vida o que o ser humano tem de pior, pode expressar, também, em sua verdade, aspectos surpreendentemente positivos e integrados.
Há individualidades que atuam na vida praticando abusos, vilezas e agressões contra si mesmas e contra os outros. E, no entanto, essas mesmas pessoas podem, de forma espontânea e sem qualquer máscara, ser capazes de sentimentos delicados, como o de se comoverem até às lágrimas diante de algo belo, ou presenciando o sofrimento alheio.
Outras ostentam tal feiura moral que se tornam aversivas e repugnantes. E essas mesmas, em alguns momentos, podem manifestar, numa de suas faces incógnitas, vínculos verdadeiros com o belo, com a arte e até com a espiritualidade.
Certa vez ouvia uma jovem que deplorava, magoada e sofrida, o comportamento de seu pai. Em casa ele era duro, rude, cruel, quase um tirano. Na instituição religiosa onde trabalhava, atendia as pessoas de forma muito amorosa, envolvia-se com seus problemas e as ajudava. Para aquela jovem, seu pai era falso, tinha “duas caras”.
É possível admitir que aquele homem talvez encontrasse no ambiente religioso um espaço facilitador para expressar o que de bom havia desenvolvido em si? Talvez estivesse profundamente dividido, fragmentado, mostrando duas de suas faces, completamente separadas, ambas verdadeiras para ele.
O nosso EU real é absolutamente expressivo dessa realidade dualística. Ele compreende aspectos profundamente integrados de amor, criatividade e sabedoria. A partir dele podemos viver experiências genuínas de felicidade, alegria e prazer.
Não obstante é preciso considerar que misturada a essa tecedura organizada, ainda persiste em todos nós, uma parte não desenvolvida que contém emoções negativas e impulsos como ódio, medo e crueldade.
Quando pudermos aceitar que não somos perfeitos e que podemos abraçar essa parte ainda em desenvolvimento, ela poderá ser curada, transformando-se em poder positivo.
Uma das palestras do Pathwork nos ensina que : “ a atitude destrutiva é negar o que somos, pois o que é negado não pode ser transformado”. Só se sabe o remédio certo quando se reconhece a doença.
O que mantém a sombra e impede o acesso ao EU verdadeiro (luz e sombra) é o medo de encarar-nos tais quais somos. E tememos encarar porque temos a fantasia de que somos apenas a parte desorganizada e “má”.
A consciência infantil nos diz que se há em nós uma parte “defeituosa”, isso representa a totalidade do que nós somos. Se é assim, concluímos que precisamos esconder das outras pessoas essa parte feia e inaceitável. E até de nós mesmos. Isto nos faz infelizes, porque, no fundo, sentimos que usamos um arremedo daquilo que desejamos ser: um EU idealizado e irreal.
Para fazermos essa travessia, precisamos aprender que a parte que tememos não é a realidade última. É apenas um aspecto impermanente da nossa realidade maior.
O grande convite da vida é abrir-se à experiência de autobusca, empreendendo uma viagem corajosa, que nos levará a um rico território interior, cheio de belezas e possibilidades. Mas precisamos admitir que esse mesmo território é feito, também, de paisagens desconhecidas e nem sempre belas, que precisamos explorar pouco a pouco, passo a passo, para que sejam reconhecidas, aceitas e transformadas.

Ray do Vale
Psicóloga e Psicoterapeuta.
Fones: (91) 9983.1560 / (91) 3229.6365

Fontes pesquisadas:
Palestras PATHWORK
Pierrakos, Eva, Caminhos da Autotransformação
Pierrakos, Eva, Não Temas o Mal







domingo, 18 de dezembro de 2011

GRUPOS DE AUTOTRANSFORMAÇÃO OU PATHWORK


“O PATHWORK® é um caminho para a autotransformação pessoal e autorrealização espiritual, direcionado às pessoas que buscam um relacionamento mais verdadeiro consigo próprias e com a vida. Inclui uma compreensão profunda da negatividade pessoal para dissolver velhas crenças, condicionamentos e imagens errôneas”.

“É um caminho de auto-conhecimento que nos ajuda a tomar consciência das nossas escolhas, muitas vezes inconscientes, que nos impedem de sermos felizes. Estas escolhas baseiam-se em crenças, medos, defesas, exigências do ego e sentimentos destrutivos, em parte desconhecidos de nós mesmos”.

“Ele nos ajuda a abraçar nossa verdade mais profunda, conhecer nossa sombra e nossa luz, de forma a fazermos escolhas mais conscientes na direção do amor e da felicidade”.

O estudo do Pathwork está fundamentado no conjunto de 258 temas, sistematizados pela austríaca Eva Pierrakos durante mais de 20 anos de trabalho.

Toda atividade realizada é conduzida por helpers ou facilitadores, profissionais especializados que já vivenciaram profundamente a técnica do Pathwork® .

Primeiro passo no Pathwork® : O GRUPO DE ESTUDOS - Reúne-se periodicamente para estudar e discutir os conceitos básicos que levam ao trabalho de desenvolvimento pessoal.

Os encontros incluem exercícios e práticas e a aplicação dos conceitos à realidade cotidiana.

Nos encontros grupais, trabalham-se os 04 níveis do ser ( físico, emocional, mental e espiritual), através de textos, vivências, exercícios e partilhas das experiências dos participantes.
a)físico: desenvolvendo a consciência corporal, identificando bloqueios e pontos de tensão e liberando o fluxo da energia vital.

b) emocional: reconhecendo sentimentos, padrões de reações e assumindo a responsabilidade por eles.

c) mental: identificando concepções distorcidas sobre a realidade e sobre nós mesmos.

d) espiritual: ampliando a consciência, a capacidade de amar e nos levando ao encontro de nossa sabedoria interna.

Iniciaremos QUATRO grupos em JANEIRO/2012:
• DOIS GRUPOS PARA JOVENS, em Belém: UM para a faixa de 13 a 15 anos e OUTRO para 16 a 23 anos.

• UM GRUPO PARA ADULTOS em Belém

• UM GRUPO PARA ADULTOS EM Macapá

Contato para entrevista:
Email: ray.vale@hotmail.com
Fones: (91) 3229.6365 / 8836.7517

sábado, 17 de dezembro de 2011

QUANDO NÃO DIZER FAZ ADOECER

Quando vivenciamos uma perda ou uma frustração, há dois aspectos da questão que precisamos considerar. Um é ressignificar o acontecimento e transformar o fato negativo num impulso para realizar, aprender e retomar a vida, resgatando tudo o que pode ser recuperado.
O segundo aspecto é cuidar da ferida que o impacto produziu. Sim, porque os acontecimentos que geram abalos marcantes deixam uma ferida impressa na estrutura emocional profunda, e essa ferida precisa receber cuidados muito específicos.
Olhar positivamente o acontecimento frustrante é apenas um dos remédios, é o tratamento de emergência, a providência de “primeiros socorros”. Mas não é tudo. Qualquer pessoa que sofra um acidente comum não se sentirá atendida e segura apenas com os cuidados dos serviços de emergência, por mais eficientes que sejam. Outros passos precisam ser dados: pergunta-se ao paciente: onde dói, o que sente, como está; toca-se, investiga-se, examina-se, deixa-se em observação, cuida-se.
Com as questões emocionais não é diferente. Até porque a separação entre corpo e mente, razão e emoção, matéria e espírito são ilusórias. Somos uma unidade bio-psico-emocional-mental-espiritual-psicológica-afetiva e tudo influencia tudo. Quando, além dos traumas visíveis no corpo, estão presentes outros hematomas imponderáveis, presos às estruturas delicadas do sentimento, o cuidado é mais necessário ainda.
Conserta-se uma perna com fratura exposta colocando-se alguns pinos ou usando outros recursos da ortopedia. Mas a dor do tecido afetivo requer sutileza e atenção maiores e mais diligentes.
Não é uma boa fórmula para quem deseja superar um sofrimento, seja uma fratura, uma doença comum ou ou uma perda importante - que a pessoa se faça de “fortona”, e que coloque uma capa de “super” , dizendo para si ou para os outros: "tá tudo bem! É assim mesmo! Vamos partir pra outra! Não tem fratura, nem doeu! Eu tiro de letra!"
Na melhor das hipóteses, você até voltará a andar, mas o membro ficará deformado. E há ainda o risco de se formar um bolsão de pus, infeccionando todo o organismo. Sonhos e desejos podem morrer assim - envenenados pela infecção do silêncio.
Nosso grande engano é achar que é vergonhoso admitir a dor e a fragilidade. Aprendemos com nosso pais, desde muito cedo, que não podemos confiar naquilo que sentimos. Quem nunca viu uma criança chorando, após um tombo, com o lábio sangrando, um dente quebrado, ou o joelho escoriado, ser consolada por um adulto que diz rápida e convincentemente: “não doeu! Não chore! Não foi nada! Já passou, já passou!”. O que fica como verdade para a criança? O que ela sente, ou o que o adulto diz? Se a sua dor mais verdadeira é negada, é porque é vergonhoso ou feio sentir. Esta é uma conclusão lógica para o espírito infantil.
Não seria melhor providência dizer à criança: “eu sei que dói muito, mas eu vou cuidar disto, ou alguém vai cuidar! Você pode chorar! Eu estou aqui com você”!
Pois voltemos aos dois aspectos de que falamos no início. Ver o lado positivo da queda, não se atirar no chão só porque algo aconteceu que nos frustrou, ressignificar positivamente é uma fórmula providencial e necessária. Ela resulta de um exercício da mente, do raciocínio, do cálculo e da análise. A pessoa, usando recursos do intelecto, analisa e conclui: “bem, não foi tão ruim assim; poderia ter sido pior; com esse acontecimento eu amadureci, aprendi sobre meus sentimentos, testei minha resistência à frustração, desenvolvi resiliência, ganhei experiência.”
Tudo isto é verdade e há um momento em que tratar as situações graves com relativa frieza é muito importante. Às vezes constitui o único recurso para segurar o choque, superar a crise , recuperar a dignidade, sobretudo quando se trata de perder x ganhar. Mas há muito ainda o que fazer, sob pena da primeira fase perder sua eficácia e tornar-se um engodo.
A segunda etapa é aquela que se segue ao tratamento de emergência. É o espaço onde a criança precisa dizer o que dói, como está,o que sente; é quando ela precisa expressar seus sentimentos ditos negativos, como: raiva, decepção, mágoa, ódio, inveja, frustração, medo, desesperança, mau humor, azedume. Não há caminho mais competente para se liberar as seqüelas da alma e drenar o veneno que intoxica a energia vital. É como cortar a carne e esvaziar o tumor, purgando o pus que lateja, encoberto pelos tecidos do corpo; dói, mas dá um alívio! E a saúde vem!
Neste espaço, que deve ser seguro, imparcial e acolhedor, a “criança interna” que todos nós temos, ou a nossa “consciência infantil” precisa ter voz e esparramar-se, respirar a dor, revivê-la totalmente, não se envergonhar de sentir e expor. Só essa expressão genuína e verdadeira pode liberar o coração da pressão dos sentimentos encobertos pela nossa máscara do falso poder.
Necessário aprender que agora, como adultos, já não podemos aceitar a proibição de chorar; já é possível ser livre para acreditar na própria dor, confiar na boca que sangra, no joelho que queima, no dente pendurado! É muito saudável e curativo resgatar a nossa criança interna, tomá-la pela mão e dizer a ela: “ agora você pode chorar, sim! Tá doendo, sim! Não passa rápido, não!”
Os sentimentos negados são grandes causadores de doenças e nos incapacitam, inibindo a criatividade e obstruindo nossos impulsos construtivos. De tanto negá-los passamos a acreditar, com o passar do tempo, que a situação foi superada e tocamos a vida. Mas, como eles não foram aceitos, como foram negados e reprimidos , afastam-se de mansinho; mas continuam atuando, escondidos nos subterrâneos de nossa história. De lá eles pressionam para cima, nos comandando a vontade e contaminando nossa vida.
Quando surgem as depressões, insônias, alergias, ansiedades, furúnculos, doenças sem diagnóstico, queda de cabelo, baixa resistência imunológica, fibromialgias, inibições sexuais, ficamos a perguntar: COMO ISTO FOI ACONTECER?
(Ray do Vale)
BLOG: www.ray-vale.blogspot.com
Email: ray.vale@hotmail.com


CONSTELAÇÕES FAMILIARES

O QUE É CONSTELAÇÃO SISTÊMICA FAMILIAR?
As Constelações Familiares são uma inovadora abordagem em Terapia Sistêmica, que põem em evidência os profundos laços que unem uma pessoa à sua família, inclusive às gerações mais longínquas.
COMO ATUAM AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES?
O trabalho com as Constelações Familiares visa trazer à consciência a dinâmica que está oculta e que pode estar causando sofrimento a uma pessoa, através da repetição de padrões que pertencem à sua história familiar.
COMO SE DESENVOLVE O TRABALHO DE CONSTELAÇÕES FAMILIARES?
O trabalho de Constelações Familiares pode ser desenvolvido individualmente ou em grupo. Individualmente, o cliente traz um tema pessoal em que o Constelador pode trabalhar.
Em grupo, você pode participar trazendo um tema pessoal para ser trabalhado (Constelar) ou apenas assistir ao workshop estando disponível para representar em alguma constelação.
O QUE SIGNIFICA "CONSTELAR UM TEMA” ?
É uma das maneiras de se participar de um workshop ou do atendimento individual. O cliente escolhe um tema que deseja constelar. O constelador explora o tema com algumas perguntas e pede para o cliente escolher pessoas que irão representar determinados papéis. O cliente coloca os representantes no salão e o constelador irá acompanhar a dinâmica que surgir.
O QUE SIGNIFICA "ASSISTIR" OU "PARTICIPAR COMO REPRESENTANTE"?
Nesta forma de participar, a pessoa ficará apenas disponível para participar ou não de alguma constelação. Poderá também fazer perguntas sobre qualquer assunto relacionado.
Quais temas podem ser trabalhados nas Constelações Sistêmicas Familiares?
Qualquer tema importante para o cliente onde ele(a) não esteja conseguindo solução pode ser trabalhado, tais como: relacionamentos, desequilíbrios emocionais, separações, doenças crônicas, problemas financeiros, falência, vida profissional, entre outras.
Quanto tempo dura um trabalho de Constelação Familiar?
A duração de uma constelação familiar é imprevisível, pois depende do sistema que está sendo trabalhado. Pode durar de 5 minutos à 1 ou mais horas.
Como o representante deve comportar-se durante a constelação?
Pede-se dos representantes o recolhimento interno das próprias idéias, intenções e medos. Enquanto estiverem sendo colocados, devem observar, exatamente, as mudanças que se manifestam fisicamente e em seus sentimentos. Por exemplo, que o coração bate mais depressa, que querem olhar para o chão e que, de repente, se sentem pesados, ou leves ou zangados, ou tristes. Naturalmente é necessária muita intuição, disponibilidade e uma alta prontidão a abstrair-se de suas próprias idéias.

REPRESENTANTES – A ALMA COMUM
“O que acontece nas constelações familiares é misterioso. Como é possível que pessoas completamente estranhas, que não têm a mínima idéia da família ou da pessoa que representam, de repente, reajam como essa pessoa e assumam os seus sentimentos, tipo de comportamento e até os seus sintomas físicos?... Creio que aí temos que modificar algo da nossa concepção de mundo”. (Bert Hellinger)
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“Eu refleti muito sobre isto e o que me parece mais aproximado é que tenhamos participação em uma alma em comum. Que aquilo que designamos como nossa alma, não podemos designar assim, pois nossa alma nos liga à nossa família e, para além da nossa família, com a “grande alma”, como a denomino. Daí temos esse saber participativo”.
(Bert Hellinger)