sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
MASMORRA
MASMORRA
Na masmorra dos dias apagados
Te escondes de mim, distante e frio,
Como se fosses refém, sentenciado.
Num castelo vigiado e bem sombrio
Não te posso sentir, ouvir ou ver,
Nem mesmo por minutos, disfarçado...
Vejo-me triste, inerte e sem poder,
De ao menos vislumbrar na cidadela,
Teus olhos que parecem me esquecer,
Amendrontados, contidos numa cela.
Que sem luz, de temor fingem não ver
Os meus que choram, olhando tua janela.
Somam-se noites, saudades, solidões
Brotam revoltas, desfazem-se alegrias,
E neste não passar, passam-se os os dias,
Vejo entre nós portões velhos e pesados,
E assim percebo que também meu coração
A cada dia vá ficando encarcerado.
UMA VIVÊNCIA NO PATHWORK
Caminhando, manhã cedo
Vi folhas verdes e brilhantes
Brotando, ousadas,
Por entre galhos envelhecidos,
Noutros caminhos
- Nem tão diferentes -
Vi crenças caindo - como galhos secos,
Sob mantos brancos,
Desfiados, enfeitados
Por mãos infantis,
Disfarçadas de adultos,
De onde brotavam
Verdades verdes - como folhas novas.
E vi homens grandes
Que despiram togas
Para chorar
No ombro da inocência
De outros homens crianças
Os papéis amassados
Sob travesseiros ensopados de medo
Deram voz a crianças perdidas,
Atiradas pelas janelas,
Renascidas dos pesadelos
Para a salvação.
MOLDURA VAZIA
Às vezes te ouço e vejo, bem real:
Tens voz, calor, olhar e emoção.
Logo depois, és a sombra impessoal.
Busco tu'alma na memória fria,
Exposta, inerte, em tristonha galeria.
E nela não te encontro o coração.
Se te sonho, gentil e respeitoso,
Vejo-te homem, pai, irmão, amigo.
Transitando entre afetos, generoso...
E, então, não jazes mais preso à moldura;
Tens um peito repleto de de ternura
Não és quimera, és alguém - e estás comigo.
Sinto-te o toque, e meu corpo aquece e pulsa...
Ao meu ouvido, tua voz quente e viril,
Sussura coisas, promessas, devaneios..
Logo desperto e te vejo qual miragem...
Fica a memória feliz da tua imagem;
Deito em teu peito, não estás... só o vazio...
Tens voz, calor, olhar e emoção.
Logo depois, és a sombra impessoal.
Busco tu'alma na memória fria,
Exposta, inerte, em tristonha galeria.
E nela não te encontro o coração.
Se te sonho, gentil e respeitoso,
Vejo-te homem, pai, irmão, amigo.
Transitando entre afetos, generoso...
E, então, não jazes mais preso à moldura;
Tens um peito repleto de de ternura
Não és quimera, és alguém - e estás comigo.
Sinto-te o toque, e meu corpo aquece e pulsa...
Ao meu ouvido, tua voz quente e viril,
Sussura coisas, promessas, devaneios..
Logo desperto e te vejo qual miragem...
Fica a memória feliz da tua imagem;
Deito em teu peito, não estás... só o vazio...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
LYOTO: VITÓRIA x DERROTA; SIM x NÃO
Nesta madrugada recebemos um grande NÃO! Belém foi dormir com um nó de tristeza na garganta: Lyoto Machida perdeu a Luta. (perdeu?) Grupos numerosos de fãs retiravam-se das reuniões barulhentas, em torno da Cidade , onde pouco antes celebravam ou sofriam, a cada golpe, dependendo de quem vinha. Nem a Lei seca afastou dos bares aqueles que esperava comemorar, mesmo sem cerveja! Os elevadores dos prédios estavam lotados de visitantes que desciam silenciosos, de volta para suas casas. Até os motores dos carros, nas ruas, roncavam mais baixo, quase num gemido.
Fiquei refletindo em como é difícil para nós humanos aceitar a vida do jeito que ela é: DUAL, polarizada, com duas faces, no mínimo: vitória X derrota; feio X bonito; guerra X paz; alto X baixo; claro X escuro: sombra X luz; pobreza X riqueza; vida X morte.
Quando o dia clarear, um outro NÃO fará a nossa alegria e a nossa vitória. A vitória de um pólo, de um lado do nosso Pará. Não é interessante? Alguns se sentirão perdedores, frustrados e deixarão os telões da apuração dos votos, também cabisbaixos, como os fãs de Lyoto. Amanhã uma parte do Pará será JOHN JONES – o vencedor...
O que é GANHAR, afinal ? Teremos a capacidade de avaliar o significado de uma vitória ou de uma derrota, a não ser pela nossa esfumaçada lente do imediatismo?? O que poderemos aprender quando transitamos ora num extremo, ora noutro da dualidade? Lembro uma música do início do Movimento Tropicalista que dizia assim: “o que dá pra rir, dá pra chorar; questão só de peso e medida: problema de hora e lugar, mas tudo são coisas da vida! “
O bom é saber que, pela sua formação e pela sua fibra, o nosso atleta tirará, certamente, uma vitória dessa aparente derrota. Ele sabe, pela sua formação, que os reveses da vida trazem sempre nas entrelinhas uma sábia interrogação: o que isto me diz? o que me ensina? E a resposta vem a reboque. É só ter olhos de ver...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A ROSEIRA (ROSEIRA MESMO) QUE MORREU
É possível compreender
Que posso me entristecer
Porque uma rosa morreu?
Não é uma rosa qualquer
É Rosa, Amada e Mulher
Tão sensível quanto eu...
Que chegou cheia de brilho
Quando um grande amor nasceu...
É possível não julgar,
Se alguém se põe a chorar
Por dois dias de ausência?...
Simplesmente por sentir
O coração explodir
Na falta profunda, intensa...
É que é capaz de viver
O amor com tanta inocência?
É possível compreender
Que posso me entristecer
Porque uma rosa morreu?
Não é uma rosa qualquer
É Rosa, Amada e Mulher
Tão sensível quanto eu...
Que chegou cheia de brilho
Quando um grande amor nasceu...
É possível não julgar,
Se alguém se põe a chorar
Por dois dias de ausência?...
Simplesmente por sentir
O coração explodir
Na falta profunda, intensa...
É que é capaz de viver
O amor com tanta inocência?
MASMORRA
Tanto tempo engaiolado,
E o passarinho esqueceu
Que tinha asas brilhantes
E podia alçar-se aos céus.
Passou a amar a prisão,
Cedeu alma e coração,
Morto, pensou que viveu.
Tanto tempo na masmorra
E o cavaleiro valente,
Perdeu poder, luz e força,
Espírito, saúde e mente,
Amarrou-se ao carcereiro,
Fez dos ratos seus parceiros,
Rendeu-se ao frio - descrente...
Quando a bastilha caiu,
Não viu o sol bem à frente...
Quedou-se, deitado, inerte,
Sem coragem de ir em frente,
Acostumou-se ao bafio,
Por leito tinha o chão frio,
Recusou a cama quente.
(Ray do Vale)
Tanto tempo engaiolado,
E o passarinho esqueceu
Que tinha asas brilhantes
E podia alçar-se aos céus.
Passou a amar a prisão,
Cedeu alma e coração,
Morto, pensou que viveu.
Tanto tempo na masmorra
E o cavaleiro valente,
Perdeu poder, luz e força,
Espírito, saúde e mente,
Amarrou-se ao carcereiro,
Fez dos ratos seus parceiros,
Rendeu-se ao frio - descrente...
Quando a bastilha caiu,
Não viu o sol bem à frente...
Quedou-se, deitado, inerte,
Sem coragem de ir em frente,
Acostumou-se ao bafio,
Por leito tinha o chão frio,
Recusou a cama quente.
(Ray do Vale)
CÍRIO DE NAZARÉ 2010
CÍRIO DE NAZARÉ
Neste momento, a religião é o que menos importa! Ter ou não religião, também não é relevante. Há um espaço de espiritualidade que está além e acima das divisões sectárias, preenchido de emoções que não conhecem fronteiras. Algo entra em movimento, e um pulsar de energias sutilmente ternas e ma-ternas espalha-se pelas artérias verdes da Cidade Mulher e pelas veias de todas as cores e de muitas nacionalidades.
A tristeza bate em retirada e a esperança comparece, sem pedir licença, indócil como a Fé. (Ray Vale)
Neste momento, a religião é o que menos importa! Ter ou não religião, também não é relevante. Há um espaço de espiritualidade que está além e acima das divisões sectárias, preenchido de emoções que não conhecem fronteiras. Algo entra em movimento, e um pulsar de energias sutilmente ternas e ma-ternas espalha-se pelas artérias verdes da Cidade Mulher e pelas veias de todas as cores e de muitas nacionalidades.
A tristeza bate em retirada e a esperança comparece, sem pedir licença, indócil como a Fé. (Ray Vale)
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